Jovens criam Guia Gay Paraíba

O estudante de jornalismo Willamys Guthiers e o designer gráfico Myke Fonseca criaram o Guia Gay PB (https://guiagay.aligagay.com.br/), que está em fase de testes há dois meses e, portanto, reúne poucos locais cujos serviços são voltados ao público LGBT. “Temos o portal ‘A liga Gay’ e percebemos uma demanda muito grande de pessoas buscando informações sobre o turismo LGBT. Então, começamos a pesquisar e percebemos que o ‘pink money’ movimenta muito dinheiro e que esse nicho de mercado estava desamparado tanto em serviços quando em termos de informações sobre esses serviços”, explicou Fonseca.

Inicialmente, o guia seria impresso, mas o alto custo e a rapidez das informações fizeram com que a dupla repensasse a plataforma do guia. Além disso, a facilidade de um guia que pode ser acessado na palma da mão também falou alto na hora de decidir pela plataforma. “Os lugares que já estão no site são os que conhecemos. Ainda estamos pesquisando outros, como hotéis, mas é difícil encontrar. A maioria dos lugares não quer ser explicitamente LGBT porque tem medo de sofrer represália”, afirmou o designer gráfico.

No entanto, explicou que o potencial de consumo do público LGBT é enorme. “Os empresários não percebem o potencial de compra e investimento que o público tem. Quando há empresas realmente interessadas em atender ao público LGBT com qualidade, respeito e dignidade, fazendo bem feito, a empresa se torna a paixão daquela pessoa. A pessoa se sente próxima, se torna verdadeira fã da empresa e divulga de graça”, afirmou Fonseca.

Por fim, ele esclareceu porque optou pelo nome Guia Gay PB em vez de Guia LGBT, por exemplo. “Algumas pessoas perguntam ‘por que guia gay?’. Optamos por questão de marketing. Sabemos que LGBT tem pronúncia longa, é uma sigla, não é de fácil entendimento e é complicado para pessoas lembrarem. Até a própria parada, por mais que se reforce, as pessoas continham falando Parada Gay, então, por diversas questões, optamos por Guia Gay PB”, comentou.

Karaokê foca contratações LGBT

O karaokê Hera Bárbara funciona há um ano na Praça Antenor Navarro, que fica no Centro Histórico de João Pessoa, de sexta a domingo. “Nosso diferencial é que não somos um karaokê especialmente para pessoas que sabem cantar. A ideia é que qualquer pessoa se sinta à vontade para cantar, independente se está afinado ou não. E isso acontece. Priorizamos contratar mulheres. Quando não é mulher, é LGBT. É porque é a essência do nosso espaço. É um número muito pequeno de espaços que contratam uma ‘bicha afeminada’ ou uma ‘sapatão caminhoneira’”, contou Misandri Lynn, uma das proprietárias do espaço.

Para a empresária, a criação de um espaço como o Hera Bárbara é de extrema importância. “É de total importância existir um espaço no Centro histórico, onde atualmente funcionam vários casarões, que seja LGBT. Temos o cuidado de preservar o bem estar dos mesmos e, ao mesmo tempo, mantemos a diversidade do Centro Histórico”, argumentou.

Boate frisa fidelidade do público

A boate Seven Club JP funciona há pouco tempo, tendo inaugurado em abril deste ano. Fundada por cinco jovens, John Kennedy, Maylton Santos, Andressa Fernandes, Pamela Lima e Aline Andrade, tem como maioria do público freqeentador declaradamente LGBT. “A maioria do público-alvo da Boate é sim declaradamente LGBT, porém deixamos sempre em aberto a segmentação da boate, pois nosso intuito é de acolher a todos, independente de classe social ou grupo. Não visamos excluir as classes sociais ou grupos sociais, queremos que todos se sintam acolhidos na nossa boate”, afirmou Kennedy.

Como parte da estratégia de fidelização de clientes, a boate foca em comunicação e interação com os consumidores. “É através do que ele deseja e busca na noite que montamos nossas programações, promoções, atendimento, dentre outras opções oferecidas pela casa. Prezamos muito pela qualidade e acolhimento do nosso público, ficamos muito felizes quando eles saem satisfeitos do nosso estabelecimento. Estamos sempre atentos também as reclamações e críticas, pois são a partir delas que direcionamos nossas estratégias”, contou o proprietário.

Em relação à contratação dos funcionários, o foco é um profissional gay-friendly ou até mesmo LGBT, aliado a um perfil educado, prestativo e empático. “Nós queremos que dentro da boate todos se sintam acolhidos, bem recebidos e que tenham uma noite de paz e diversão, coisa que no mundão lá fora não encontramos sempre, pois vivemos rodeados de preconceitos em relação aos LGBTs e as diversas minorias. A vantagem é que temos o melhor público do mundo, fiel, amigáveis e que evitam na maioria das vezes confusões. Então, as noites são bem tranquilas. Porém, é um público muito complexo e exigente, o que acaba triplicando o trabalho de alguém que queira trabalhar com esse público, pois é difícil agradá-lo e mantê-lo. Mesmo assim, é muito prazeroso e gratificante para nós da Seven Club ter a oportunidade de trazer alegria, acolhimento e diversão para o público LGBTQ”, concluiu John Kennedy.

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