Embratur rompe contrato com influenciador digital após polêmica de racismo

A Embratur afirmou que rompeu o contrato de publicidade com o influenciador digital Julio Cocielo, 25, após a polêmica causada por seu post sobre o jogador francês Kylian Mbappé.

Cocielo escreveu no sábado passado (30) no Twitter que o jogador da seleção francesa, que é negro, “conseguiria fazer uns arrastão top na praia”. Era uma referência ao jogo entre França e Argentina da Copa do Mundo, no qual o atacante fez dois dos quatro gols da vitória francesa. O post foi considerado racista por internautas, que criticaram Cocielo.

O influenciador viajou à Rússia a convite da Embratur para participar, três dias antes, de uma das ações de uma campanha de promoção do turismo no Brasil, segundo informou a colunista da Folha de S.Paulo, Mariliz Pereira Jorge. Batizada de Happy by Nature (Felizes por Natureza), a campanha quer explorar a imagem de bom anfitrião que o brasileiro causou nos estrangeiros durante a Copa do Mundo de 2014.

Cocielo foi o anfitrião de um evento com influenciadores digitais de vários países, incluindo Rússia, EUA, Alemanha e Espanha, em que viveram “um dia de brasileiro” com direito a feijoada, caipirinha e aula de dança. No final, eles foram ao jogo do Brasil contra a Sérvia, em Moscou.

A Embratur afirmou que rompeu o contrato com o influenciador, que previa ainda ações promocionais nas redes sociais. Suas imagens foram retiradas do vídeo de divulgação gravado durante o evento em Moscou. O nome de Cocielo foi vetado também para qualquer futura campanha do órgão.

Não foi a única patrocinadora que Cocielo perdeu. A marca de material esportivo Adidas, o banco Itaú e a varejista virtual Submarino confirmaram ter deixado de patrocinar Cocielo e retirado das redes sociais as campanhas em que ele aparece. Todas reforçaram que são contra qualquer tipo de discriminação.

O jovem influenciador, nascido em Osasco, na Grande São Paulo, tem 7,4 milhões de seguidores no Twitter, 11,2 milhões no Instagram e 16,2 milhões de inscritos no seu Canal Canalha, no YouTube. Ele fala principalmente sobre jogos online.

Após o tuíte sobre Mbappé, os internautas vasculharam o perfil de Cocielo e encontraram outras postagens ofensivas de anos anteriores. Em mensagens de 2013, por exemplo, ele disse que só seria possível deixar de fazer piadas de negros caso eles fossem exterminados. No mesmo ano, falou que não faria vídeo sobre o Dia da Consciência Negra porque na cela não havia wi-fi.

Cocielo apagou o tuíte sobre o jogador francês e publicou uma nova mensagem em que pediu desculpas e afirmou que o comentário se referia à velocidade dele e não à sua cor de pele.

“O tweet foi interpretado de mil formas diferentes e gerou uma grande discussão. Decidi deletar pois nunca fui de entrar em polêmicas, mas já era tarde demais, tinha tomado uma proporção enorme.”

Também disse sentir vergonha dos comentários antigos que foram localizados em seu Twitter. “Na época, esses comentários infelizes tinham uma interpretação totalmente diferente de hoje, um momento delicado. Muitas vezes fui irônico, muitas vezes estava zoando entre amigos, muitas vezes só queria ser o engraçadão, e são coisas que eu nem lembrava ter escrito.”

A reportagem tentou entrar em contato com Cocielo por e-mail, mas não obteve retorno.

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