Ministro da Cultura diz que o Brasil se acostumou a viver de problemas

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, não poupou críticas às pessoas que se acostumaram a viver dos problemas no Brasil e “que não querem resolver”, e citou nominalmente a direção do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, que foi praticamente destruído após um grande incêndio em toda a sua estrutura. “O Museu foi assassinado por uma direção incompetente”, desabou o jornalista, em discurso na abertura da Abav Expo Internacional de Turismo, evento que aconteceu na semana passada em São Paulo.

Na opinião do ministro, “muita gente é sócia, cúmplice (do incêndio) e não querem mudar. Nós temos (no Brasil) modelos arcaicos e corporativos nas gestões públicas e temos de trabalhar para mudar tudo isso que está aí. Temos que levar o Brasil para a contemporaneidade, com apoio forte aos setores do Turismo, Cultura e Economia Criativa, tomar o País com as mãos”, apontou Sérgio Sá.

Segundo o ministro, o futuro do Brasil está em uma política que valorize os ministérios do Turismo, Cultura e Ciência e Tecnologia. “Ainda somos um País subdesenvolvido e não somos capazes de produzir um desenvolvimento pleno”, pontuou.

Sérgio Sá revelou alguns dados de uma pesquisa de impacto econômico realizado pela Fundação Getúlio Vargas, sobre eventos como o Carnaval no Rio de Janeiro. Em 2018, segundo ele, houve um investimento de R$ 30 milhões e uma arrecadação de R$ 2 bilhões injetados na economia da cidade. Passaram pelo Rio no período 478 mil turistas, dos quais 93 mil estrangeiros. Foram gerados 50 mil empregos e a prefeitura arrecadou R$ 115 milhões em impostos.

No Réveillon carioca, foram injetados R$ 3 bilhões na economia da cidade, com a presença de 665 mil turistas e a geração de 72 mil empregos diretos e indiretos. A prefeitura arrecadou R$ 169 milhões em impostos. Já na Feira Literária em Parati, também no Estado do Rio, foram investidos R$ 3,5 milhões e injetados na economia R$ 46, 5 milhões, com a presença de quase 119 mil turistas.

“Como percebemos tudo isso e não priorizamos essas atividades, esses investimentos”, lamentou o ministro.

Fábio Cardoso

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